quinta-feira, 29 de abril de 2010

NOVO MINISTRO DECLARA QUE É PRECISO DAR ATENÇÃO AOS MÉDIOS PRODUTORES


O novo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, é o entrevistado da edição de maio da Revista Globo Rural. Segundo Rossi, que deve permanecer por apenas 9 meses no cargo (até a posse do novo presidente do país e a consequente mudança da equipe de governo), o momento é de dar continuidade ao trabalho que vinha sendo conduzido por Reinhold Stephanes, seu antecessor.

'É preciso darmos mais atenção ao médio produtor', diz o ministro. 'A ideia é dar condições de financiamento mais favoráveis a essa classe produtiva, estimulando o investimento em projetos de sustentabilidade', afirma.

De fato, a questão ambiental é uma preocupação que Rossi faz questão de destacar. 'Estamos elaborando um projeto que deve levar o nome de 'ABC: Agricultura de Baixo Carbono'. O objetivo é multiplicar processos que melhorem a produção agropecuária, contribuindo para capturar gases de efeito estufa', antecipa. Dentre as ações está previsto o incentivo ao plantio direto na palha, maior impulso à integração lavoura-pecuária-floresta e até um programa específico para o estímulo às florestas plantadas.

Já em relação à supersafra esperada para esta temporada, Rossi afirma que a sustentação dos preços é um problema maior do que a deficiência logística. O ministro garantiu ainda que o Plano Safra 2010/2011, a ser anunciado entre junho e julho, sofrerá ajustes para que a tomada de crédito pelos produtores seja facilitada.

Durante a entrevista à Globo Rural, Wagner Rossi opinou ainda sobre as discussões em torno do Código Florestal e a retaliação brasileira aos subsídios ao algodão norte-americano. Confira o texto completo na edição de maio da revista.

fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 28 de abril de 2010

EUCALIPTO NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA MINEIRA

No site da Assembléia Legistativa de Minas Gerais tem uma publicação muito interessante sobre Eucalipto abordando os seguinte temas:

*O eucalipto no Brasil

*Situação atual da eucaliptocultura no Brasil

*O eucalipto em Minas

*O eucalipto na siderurgia: histórico

*Vantagens da substituição do coque pelo carvão vegetal

*Problemas apresentados pelo plantio de eucalipto em escala industrial

*Impactos do modelo de produção implantado na década de 1970

*Perspectivas

Veja no link: Texto Completo

terça-feira, 27 de abril de 2010

PAPEL DAS FLORESTAS PLANTADAS NO ATENDIMENTO DAS DEMANDAS FUTURAS DA SOCIEDADE

Florestas plantadas não são apenas eficientes unidades produtoras de matérias primas.
Como conjuntos vivos e dinâmicos em constante interação com os meios biótico e
abiótico, podem e devem desempenhar funções econômicas, ambientais e sociais sem
antagonismo com os princípios de sustentabilidade.
O contexto no qual se inserem e os seus benefícios em resposta às condições locais
serão diferentes em função do objetivo proposto. Não se espera que florestas plantadas substituam ou sejam consideradas como florestas nativas, e sim como fontes renováveis de provisão de produtos e serviços demandados em escala crescente pela sociedade em nível global. Esses serviços podem inclusive ter vertentes amplamente ambientais, como é o caso de florestas de proteção, abrigo e de barreiras contra o vento ou contra a desertificação.
As pesquisas científicas que proporcionaram desenvolvimento espetacular na
produtividade e na qualidade dos produtos de florestas plantadas
, incluindo a biotecnologia aliada às práticas de manejo, devem ser fortalecidas para atender as novas demandas, incluindo a agrosilvicultura, e para equacionar possíveis paradigmas com relação à provisão de serviços sociais e ambientais , vi-à-vis os novos modelos de produção.
A expansão das plantações florestais principalmente em países tropicais, em função de
suas vantagens comparativas, para onde já se observam deslocamentos de investidores
institucionais, como TIMOs, REITs e outros, exigirá também desses atores postura de
gestão que valorize os demais serviços dessas florestas e não apenas os fins
econômicos.
A madeira apresenta expressiva vantagem de eficiência energética em relação a vários
outros materiais cujos custos para a natureza são de 10 a 200 vezes maiores . Florestas plantadas são recursos renováveis, possibilitam a obtenção de produtos reaproveitáveis e recicláveis.
O mercado de serviços ambientais para florestas plantadas não está ainda devidamente
estruturado, embora haja potencial bastante grande, não só para o seqüestro de carbono, como também para ecoturismo, lazer, proteção de mananciais, restauração de paisagens, recuperação de áreas degradadas, e amenização da temperatura e da poluição em “ilhas de calor” em grandes metrópoles.
As indústrias com base em plantações florestais, que em sua trajetória de desenvolvimento superaram desafios, inovaram nos processos de produção, promoveram
o uso múltiplo da madeira, apostaram em tecnologias de ponta e foram pioneiras na
adoção de manejo sustentável, deverão buscar novos modelos de sustentabilidade e dar
respostas concretas para a solução dos desafios que se apresentam.
Florestas plantadas são uma forma legítima de uso da terra e, em muitos países e
regiões, são opções vitais para fins de produção e/ou de proteção. Embora ocupem
apenas 2% da superfície terrestre, em alguns locais estão surgindo conflitos de interesse que necessitam ser tratados mediante planejamento participativo com os grupos legítimos de representação.
Deve ficar claro a todos que qualquer atividade intensiva gera impactos, mesmo se
tratando de florestas. Entretanto, eles podem ser minimizados, quando negativos, e
maximizados, quando positivos. Além disso, há sempre que se buscar o equilíbrio entre
as demandas econômicas da sociedade e os aspectos ambientais, sociais, culturais e
antropológicos. Por essa razão, o diálogo entre as partes interessadas deverá crescer em importância nos processos de tomadas de decisões de agora em diante.
Madeira de origem legal ou certificada é uma preocupação global e passará a ser exigida, inclusive em mercados domésticos, o que já ocorre por meio de políticas de compras públicas e privadas em vários países. Florestas plantadas, por si só, são instrumentos de controle e de desestímulo à produção e comércio de madeira ilegal.
Certificação independente do manejo florestal sustentável e outros mecanismos
voluntários de comprovação de responsabilidade corporativa (selos verdes, certificações de gestão ambiental, de responsabilidade social, saúde e segurança do trabalhado ) deverão crescer como instrumentos de acesso aos mercados verdes e de qualificação das florestas plantadas no atendimento de seus predicados sócio-econômicos e ambientais. Em vários países, mais da metade das plantações florestais está certificada; em outros, a quase totalidade está certificada. É possível estimar que em 2020 cerca de 80% da madeira industrial oriunda de plantações florestais esteja certificada.
É necessário estabelecer um ambiente de sinergia e de compreensão internacional que
favoreça a adoção das florestas plantadas como estratégia e como um dos vetores de
desenvolvimento sustentável para a superação de desafios e atendimento das demandas
futuras da sociedade.

Texto de:
Rubens Garlipp-- Diretor Executivo da Sociedade Brasileira de Sivicultura
Celso Foelkel-- Conselheiro da Sociedade Brasileira de Silvicultura

quinta-feira, 22 de abril de 2010

DIFICULDADE DE CERTIFICAÇÃO DE PROPRIEDADE RURAL JUNTO AO INCRA

Ao longo de muitos anos muitos problemas de sobreposição de terras foram surgindo e as empresas e bancos internacionais passaram a dificultar a liberação do dinheiro aos produtores rurais, em virtude da burocracia e da dificuldade de receber as dívidas principalmente por conflitos judiciais quanto aos limites e confrontações das terras dadas em garantia.

A tentativa encontrada para solucionar a problemática acima apresentada veio com o advento da Lei Federal nº 10.267 de 28 de agosto de 2001, que regulamentou o processo de georreferenciamento dos imóveis rurais perante o Sistema Geodésico Brasileiro, que têm como objetivos, entre outros, obter-se uma descrição precisa dos imóveis rurais e evitar sobreposição de áreas.

Com isso, os imóveis rurais no Brasil serão georreferenciados de forma gradativa, sempre observando os prazos estabelecidos pela Lei supracitada. O objetivo é que ao longo do tempo todo imóvel rural no país tenha seus limites e extensões regularizadas, evitando assim problemas como conflitos de terra, sobreposição entre outros agravantes.

O georreferenciamento da área do imóvel deverá ser homologada pelo INCRA. A Lei Federal nº 10.267/01 atribuiu expressamente a este órgão a responsabilidade pela homologação e a inserção dos dados do imóvel no Cadastro Nacional de Imóveis Rurais (CNIR).

Assim sendo, em decorrência ao regramento da Lei do Georreferenciamento, impô-se aos proprietários de imóveis rurais no Brasil a obrigatoriedade da realização de georreferenciamento, para que haja cumprimento à determinação normativa. A Lei impossibilitou a prática de determinados atos sem a realização do georreferenciamento.

Ocorre que, hodiernamente, há dificuldades na obtenção de tal homologação, pela protelação injustificada do órgão responsável. Inúmeros Mandados de Segurança contra o INCRA, determinando a realização da homologação do georreferenciamento, estão sendo deferidos. Os proprietários têm-se deparado com muita burocracia e demora injustificada para conseguir a homologação perante ao INCRA.

Em média, a homologação do georreferenciamento no INCRA ocorre entre três a cinco anos. Deve-se considerar que, em algumas situações, este lapso temporal pode gerar prejuízos ao proprietário do imóvel, essa constatação é oriunda da experiência profissional deste acadêmico na Serventia Registral de Lucas do Rio Verde-MT.

Além disso, deve-se atentar para um sério risco à segurança jurídica das relações pertinentes ao imóvel, o que pode levar a muitos proprietários rurais a situações de irregularidades de propriedade.

Um exemplo típico desta situação é a compra e venda sem que haja o georreferenciamento e não ocorre a transferência de titularidade. Assim, a venda existe mediante os documentos particulares. Caso o antigo proprietário sofrer ações judiciais, pode o imóvel objeto da venda ser atingido por atos de constrições que não foram originados pelo novo proprietário.

Este breve exemplo visa demonstrar a insegurança jurídica que pode ser originada diante da exaustiva demora pela homologação do georreferenciamento.

A Lei Federal nº 10.267/01 impede a prática de vários atos jurídicos enquanto não houver o georreferenciamento do imóvel rural, atos como transferência de titularidade, seja por compra e venda, doação, arrematação, e outras situações como o desmembramento e parcelamento da área do imóvel.

Os princípios no Direito existem para servirem de alicerce ao aplicador do direito, é através dos princípios que se determina qual regra deverá ser aplicada pelo intérprete.

Diante da demora excessiva do órgão responsável, identifica-se três princípios constitucionais ofendidos: Princípio da Razoabilidade, Princípio da Eficiência e Princípio da Moralidade.

A jurisprudência tem consolidado o entendimento de que há ofensa aos princípios constitucionais em razão da excessiva morosidade do INCRA ao analisar os pedidos de homologação de georreferenciamento. In verbis:

“ADMINISTRATIVO E MANDADO DE SEGURANÇA. REQUERIMENTO FORMULADO PERANTE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (INCRA). GEORREFERENCIAMENTO DE ÀREA RURAL. LEI 10.267/2001. DEMORA NA SUA ANÁLISE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. FIXAÇÃO DE PRAZO PARA O SEU EXAME. 1. A demora excessiva e injustificável na apreciação de requerimento formulado pelo cidadão à Administração Pública atenta contra o princípio da razoabilidade, bem como o dever de eficiência do administrador, que lhe impõe a obrigação de realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional.
2. Confirma-se a sentença que fixou prazo de quinze dias para a análise do pedido. (REOMS 2008.36.00.014553-4/MT, 24/08/2009 e-DJF1 p.359, Rel. DANIEL PAES RIBEIRO)

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO COM VISTAS À EXPEDIÇÃO DE CERTIFICADO DE GEORREFERENCIAMENTO PROTOCOLIZADO JUNTO AO INCRA. APRECIAÇÃO ASSEGURADA. OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DA EFICIÊNCIA E DA MORALIDADE. I - Formulado requerimento administrativo objetivando a expedição de Certificado de Georreferenciamento, tal pleito deve ser analisado pela Administração, assegurando-se à impetrante a observância da garantia constitucional do devido processo legal, devida a todos os litigantes, na esfera judicial ou administrativa (Constituição Federal, art. 5º, LIV e LV), afigurando-se passível de correção, pela via do mandado de segurança, por ofensa ao princípio da eficiência e da moralidade inerentes aos atos administrativos, a abusiva demora do Poder Público em apreciar o pleito.

Os princípios constitucionais são normas dentro do sistema positivo, neles estão inseridos a essência de uma ordem, seus parâmetros fundamentais que direcionam o fato para melhor aplicabilidade do direito.

Em virtude da excessiva morosidade do INCRA na apreciação da homologação de georreferenciamento, está evidente a ofensa aos princípios constitucionais.

Para que a Lei Federal nº 10.267/01 produza os efeitos esperados é imprescindível que os princípios constitucionais acima elencados sejam respeitados pelo órgão, para o bem da segurança jurídica do País.



Fonte: Portal Conteúdo Jurídico

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PRODUTOS FLORESTAIS PUXAM EXPORTÇÕES EM MARÇO 2010

As exportações do agronegócio brasileiro renderam mais de US$ 6 bilhões em março, um aumento de 25,5% em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com a pasta, foi o melhor mês de março até agora.

A Arábia Saudita figurou entre os destinos de destaque. As vendas para lá cresceram 50,2% no mês passado, em comparação com março de 2009. Como região, o Oriente Médio foi destaque também, com aumento de 35,4% de aumento nas compras de produtos brasileiros. O desempenho de março foi puxado pelo aumento dos embarques de produtos florestais (62,1%), complexo soja (18,3%), açúcar e álcool (48%), carnes (24,8%), café (26,2%) e couros e derivados (59,6%).

No acumulado do terceiro trimestre, as exportações somaram US$ 14,5 bilhões, valor recorde para o período, 15% superior ao registrado em março do ano passado e 4% acima dos primeiros três meses de 2008, ainda antes do recrudescimento da crise financeira internacional.

fonte: Paraná Online

quarta-feira, 7 de abril de 2010

CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL

O mercado de certificação ambiental vem crescendo no Brasil, tanto nas unidades agrícolas e florestais produtoras de matérias-primas quanto no de produtos acabados que chegam ao consumidor final.

A informação é do secretário-executivo da organização não governamental Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Luis Fernando Guedes Pinto. Fundada em 1995, a entidade se dedica a promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e gerar benefícios sociais nos setores agrícola e florestal.

"O que a gente vê no Brasil, tanto no setor florestal como agrícola, é que a certificação cresce a taxas muito altas desde a década de 90", disse Guedes Pinto à Agência Brasil.

Boa parte, porém, da produção certificada ainda é exportada e não chega a todos os brasileiros. Segundo Guedes Pinto, na agricultura a certificação é cada vez mais importante, principalmente para quem quer acessar mercados especiais.

"E o mercado internacional de exportação é principal para isso".

No setor de florestas naturais de madeira tropical, a certificação não tem crescido muito porque existem ainda entraves a serem resolvidos no que se refere ao crescimento legal e certificável das madeireiras no Brasil. O processo, contudo, já começou.

"Seja para atingir novos mercados, seja por uma questão de gerenciar risco ambiental, seja para melhorar a imagem e reputação da empresa".

Guedes Pinto afirmou que o consumidor brasileiro ainda não tem consciência das normas de proteção socioambiental envolvidas no processo de certificação.

"Ele ainda não entende o que são esses selos que estão nos produtos, mas cada vez encontra uma oferta maior de produtos certificados, coisa que na Europa, no Japão e em algumas áreas dos Estados Unidos, o consumidor já tem contato há muito mais tempo".

Ele afirmou, entretanto, que a tendência do mercado de certificação no Brasil é irreversível, no sentido de tornar-se um instrumento cada vez mais importante para diferenciar os produtores e seus produtos.

"Para apresentar garantias de origem, seja para o consumidor final, para investidores, acionistas, e até para acessar mercados mais exigentes, como é o caso dos biocombustíveis, do etanol, do açúcar, que querem ter certeza de que esses produtos vêm de uma origem responsável, que respeita o meio ambiente e os trabalhadores".

fonte: Bem Paraná

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA: REFLORESTAR É UM ÓTIMO NEGÓCIO

A produtividade das florestas brasileiras não é atrativa apenaspara as indústrias que dependem da madeira, como é o caso do setor de papel e celulose. Hoje, com a globalização e a procura por investimentos mais seguros, investidores e fundos tanto estrangeiros quanto nacionais olham para a floresta como um meio rentável e estável para se obterem bons retornos financeiros, o que tem gerado no Brasil a procura por terras passíveis do reflorestamento.

Para tratar deste assunto, a revista O papel entrevistou Éderson de Almeida, diretor da Consufor, consultoria especializada no setor florestal que realiza pesquisas de mercado. O executivo explicou o que tem atraído capital para as florestas plantadas e como deverá ser o futuro do segmento no país.

O papel – Segundo pesquisa da Consufor-Advisory&Research, os investimentos realizados por fundos estrangeiros em florestas plantadas no Brasil ultrapassaram R$1,9 milhão em 2008. Esse valor tem aumentado?

Éderson de Almeida – Não temos um mapeamento de todos os investimentos realizados, pois muitos não são divulgados e não há controle pelo Banco Central, por se tratar de compra direta de ativos. Estimamos que, do início da década até 2009, esses fundos já tenham aplicado no Brasil cerca de US$ 1 bilhão em reflorestamentos, que ao serem vendidos, podem representar um valor ainda muito maior. Temos exemplos de florestas adquiridas a US$ 100 milhões que hoje valem US$ 500 milhões, lucro que podia ser obtido com as fazendas compradas no começo deste movimento, a preços menores, já que hoje há valorização da terra e da madeira.

O papel – Como são esses fundos que estão investindo no setor florestal do Brasil? Querem retorno de curto ou longo prazo? Como planejam seus ganhos?

Éderson de Almeida – O objetivo dessas empresas é comprar um ativo florestal existente ou terra para formar floresta. Com isso, vendem madeira no mercado interno e, caso queiram se desfazer do negócio, obtêm o lucro da valorização do ativo. Hoje, quem compra terra não tem tanta perspectiva de lucro com a venda do ativo em si, mas pensa na comercialização da madeira, esta sim com tendência de continuar se valorizando. Esse tipo de investidor de fundos de pensão, seguradoras e fundações não pensa no curto prazo, mas sim em algo de, pelo menos, dez anos de investimento, A busca pela floresta plantada se dá justamente por se tratar de algo de baixo risco e de longo prazo, com retorno adequado quando comparado a outros tipos de negócio.

O papel – Como é feita a decisão de compra de terras para reflorestamento?

Éderson de Almeida – Ao fazerem uma aquisição, esses fundos internacionais obedecem a uma série de critérios internos rigorosos, que estudam todos os aspectos legais e ambientais do projeto. Um aspecto muito analisado é a legalidade da terra, problema comum no Brasil. Esses investidores não compram propriedades sem certidão, por isso, é feita toda a análise de matrícula e também auditoria ambiental e técnica para evitar problemas futuros. Também se analisa se a produtividade do terreno é a esperada e o mercado daquela região para compra de madeira.

O papel – Por quê o Brasil tem se tornado interessante para investimentos em reflorestamento?

Éderson de Almeida – O Brasil tem se destacado em vários motivos. Antes, os fundos tinham atuação concentrada nos Estados Unidos e no Canadá, mas agora estão se espalhando pelo mundo todo. Hoje também há fundos nacionais, como o Petros e o Funcef, que já investiram mais de R$ 500 milhões no setor florestal. Esse tipo de associação tem dinheiro e precisa de algo que dê retorno econômico. Os investimentos poderiam ser em títulos públicos de longo prazo e baixo custo, mas nesses casos a rentabilidade está caindo e governos pagam cada vez menos taxas de juros. Isso faz com que haja um direcionamento desse capital para ativos reais, e o reflorestamento atende as características e retorno sem risco e de longo prazo. O Brasil é muito atrativo, pois tem a maior produtividade florestal do mundo, terra disponível para expansão e ativos em condição de serem adquiridos, além de mercado interno aquecido e de base industrial que vai consumir essa madeira – características que não existem em outras regiões do mundo. Quem investe aqui tem futuro praticamente garantido, enquanto em outros países se trata somente de mais uma aposta.

O papel – Hoje o mercado florestal brasileiro, pelo menos no setor de papel e celulose, está concentrado nas grandes empresas. Isso tende a mudar com o tempo?

Éderson de Almeida – Essa mudança aconteceu nos Estados Unidos com, por exemplo, a International Paper, cuja maior parte dos ativos florestais passou para fundos. No Brasil, ainda não há exemplos concretos dessa transição na indústria, mas já há sinais de que isso pode vir a ocorrer no longo prazo. A tendência no Brasil é de que as empresas sempre mantenham ativos florestais, uma reserva estratégica para regular preço de madeira, mas o fato é que terão outras opções. No passado, para se ter um negócio de celulose, a empresa obrigatoriamente precisava da floresta. Agora, a medida que o mercado florestal se fortalece, o foco pode ficar só no negócio principal, caso se decida por isso.

O papel – A questão de propriedade privada e os movimentos sociais ainda são um grande desafio no país. Como os investidores podem se proteger desse tipo de problema?

Éderson de Almeida – Se a legislação no Brasil já é complicada para o brasileiro, imagine para o estrangeiro! Isso ocorre não apenas na questão da propriedade, mas também de tributos. Muitas vezes há uma dupla interpretação da lei, o que impede a realização de negócios. Já assessoramos empresas de fora que deixaram de comprar terras no Sul do país, por que o vendedor não tinha todos os títulos que comprovassem a posse de terra. Conforme a região do país, os problemas mudam. No norte, por exemplo, há muita terra do Estado co dupla matrícula. Além disso, existem os movimentos sociais que estão acima da lei em diversos casos e, mesmo sem querer julgar se estão corretos ou não em seus objetivos, o fato é que o investidor fica de mãos atadas ao sofrer invasão. O governo ainda tem sinalizado um fortalecimento desses movimentos, o que enfraquece o interesse do investidor. Por conta desses fatores, as empresas procuram ter toda a segurança possível nos aspectos jurídicos e ambientais ao fazerem uma aquisição, para que não haja qualquer motivo para um ataque desse tipo, mesmo assim, não existe proteção 100% no Brasil contra esse tipo de acontecimento.

O papel – A entrada de fundos no setor, aliada ao interesse das empresas por terra e aos estudos para o etanol da celulose, poderá aumentar a competição por terras no país?

Éderson de Almeida – O Brasil é muito grande, com regiões em que o preço da terra ainda é muito baixo. Já em outros locais, o investimento florestal é menos atrativo, como o Paraná, Santa Catarina e São Paulo, onde há menor disponibilidade de terra e os preços são superiores ao que o investimento é capaz de retornar. Já regiões como as do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí estão com valores adequados. Quanto mais ao norte, menor o preço, mas o mercado é reativo a essas compras. A partir do momento em que se identifica a aquisição de porções de terra, automaticamente aumenta o preço de propriedades na região. No curto prazo, os valores chegam a ser especulativos, mas depois se estabilizam.

O papel – Quanto o Brasil possui de áreas que podem ser reflorestadas?

Éderson de Almeida – O reflorestamento exige menos do que a agricultura e praticamente todo terreno da agropecuária pode ser destinado a reflorestamento. Não existe um número certo, mas estudos apontam que o Brasil possui 7 milhões de hectares de florestas plantadas e que o espaço disponível para isso no país ainda é muito grande, além da crescente demanda. Existem regiões do Rio Grande do Sul e Minas Gerais que podem ser exploradas ainda. No Piauí, há um plano do governo para o desenvolvimento deste setor. Também o Maranhão tem muita terra degradada que pode ser reflorestada. Somando tudo isso, o Brasil pode tranquilamente dobrar sua área de reflorestamento e ainda haverá mais espaço para crescer.

Fonte: Revista O Papel

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

FLORESTAS PLANTADAS

O desmatamento continua sendo uma das principais preocupações atuais. Segundo dados veiculados pela Sociedade Brasileira de Silvicultura, de 2000 a 2006 foram desmatados 13 milhões de hectares por ano no mundo todo. As plantações florestais e a expansão natural das florestas contribuíram para reduzir a perda anual para 7,3 milhões de hectares no período, uma taxa ainda inaceitável.

O mundo tem hoje 3,95 bilhões de hectares de florestas e a produção mundial de madeira é de 3,5 bilhões de metros cúbicos por ano, dos quais 47% para fins industriais. Parcela significativa dessa produção é atendida por florestas plantadas, cuja participação é crescente, da mesma forma que no comércio mundial de produtos florestais.

Neste cenário, as florestas plantadas estão assumindo, cada vez mais, funções não apenas de produção, mas também de provisão de serviços socioambientais.

Fonte: Mundo Florestal

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

FERTILIDADE DO SOLO


A fertilidade de um solo depende de vários aspectos, que precisam ser favoráveis para que nele possa ser desenvolvida a atividade agrícola. A preocupação dos agricultores, no que diz respeito ao solo, está associada à sua fertilidade. Tal fertilidade, como já foi dito, pode ser "medida" de várias formas e sob alguns pontos de vista.

O que é a fertilidade física de um solo? Nada mais é do que o conjunto de características físicas que este solo precisa ter para ser considerado mais ou menos fértil. Esta fertilidade depende da presença de oxigênio no solo, pois sem ele, os vegetais não se desenvolvem bem e a atividade agrícola fica prejudicada. De uma maneira geral, podemos dizer que a presença de uma boa quantidade de oxigênio aumenta a produtividade da plantação.

Não pode haver grandes quantidades de Alumínio e Manganês no solo, o que está ligado ao pH, que deve ser o mais adequado possível, para cada diferente cultura. Uma análise de solo é sempre recomendável, para que o pH seja determinado e que possíveis correções sejam feitas.

Outra importante e vital característica física que o solo deve apresentar para que se presta à agricultura é uma boa capacidade de infiltração de água. Solos impermeáveis ou com pouca capacidade de infiltração não são bons para a agricultura e devem ser "consertados" ou simplesmente descartados para esse uso.

Além das características físicas do solo, propriamente ditas, devemos ressaltar outro fator importante para que se saiba qual é a capacidade ou fertilidade do solo: a quantidade e a qualidade de vida existente nele. Minhocas, por exemplo, são ótimas para tornar o solo mais fértil e produtivo. A vida no solo deve ser rica e diversificada, num ecosistema saudável, para abrigar atividades agrícolas.

Tecnologia a serviço do solo e da agricultura

Para que o solo seja bem aproveitado, devemos utilizar sempre as melhores tecnologias disponíveis. Como a atividade agrícola causa uma forte alteração no sistema ecológico nativo, deve ser feita de forma a criar um novo sistema, balanceado e saudável através da utilização de técnicas como a adubação, irrigação, etc.

A principal função do trato do solo é mantê-lo sempre favorável ao plantio e ao desenvolvimento agrícola, principalmente através da sua renovação constante que é feita, principalmente, através da adição de matéria orgânica.

Fonte: Rural News

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

EVITE O DESMATAMENTO E GANHE RENDA

Evitar o desmatamento já dá dinheiro no Brasil. Programas de organizações não-governamentais garantem renda a proprietários de terras com floresta nativa em bom estado manterem suas áreas, garantindo a conservação da biodiversidade. Nas áreas de Mata Atlântica, há proprietários recebendo até R$ 7 mil para deixar a floresta intocada.

O debate sobre a conservação das florestas já existentes ganhou força nesta semana na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, na Dinamarca. Um levantamento do Serviço Florestal Brasileiro, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, mostra que existe uma série de projetos no país dentro deste conceito, em várias fases de implantação.

De acordo com o doutor em ecologia Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o problema é que, no Brasil, as iniciativas existentes ainda seguem uma "lógica própria", uma vez que ainda não existem regras nacionais ou locais para este tipo de projeto. "Não há padronização."

'Desmatamento Evitado'

O projeto "Desmatamento Evitado", da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), tem parceiros como HSBC Seguros, O Boticário, Grupo Positivo e Rigesa Indústria de Papel. Essas empresas adotam propriedades que recebem, em média, R$ 2,4 mil por mês para garantir a preservação da biodiversidade na Mata Atlântica com presença de araucárias. A maior das áreas incluídas no projeto, porém, recebe R$ 7,1 mil mensais.

O valor é pago por hectare e, de acordo com o biólogo Denílson Cardoso, coordenador do projeto, o cálculo do pagamento é feito com base na capacidade de absorção de carbono da vegetação. Em média, de acordo com Cardoso, os proprietários recebem R$ 300 por ano para cada hectare de mata preservada. No caso da SPVS, são preservados 2,4 mil hectares, com um investimento total de R$ 540 mil ao ano.

Segundo a organização, o bioma de Mata Atlântica com presença de araucárias tem menos de 1% de sua área original preservada em bom estado. O "Desmatamento Evitado" prioriza manter em pé o que ainda existe, em vez de focar em replantio de mudas ou reflorestamento. Desta forma, explica Cardoso, garante-se a manutenção da biodiversidade dessas áreas.

O diretor-executivo da SPVS, Clóvis Borges, admite que o valor repassado aos agricultores ainda é "simbólico". Por isso, ele acaba por atrair aqueles que já tinham a intenção de preservar a floresta. Com os valores atuais, a ajuda de custo serve para os proprietários paguem impostos, façam melhorias na área, construindo cercas e infra-estrutura para a propriedade, e também arquem com o custo de funcionários, caso necessário.

‘Sonhador’

Durante 30 anos, José Orlando Crema, 60 anos, foi chamado de “louco” e “sonhador” pelos vizinhos de propriedade, que ganham dinheiro com áreas de reflorestamento. Crema, que mantém 30 mil pés de araucária em 155 hectares, diz que a parceria com a SPVS validou sua aposta em manter a floresta em pé. O proprietário recebe pouco mais de R$ 2 mil por mês da HSBC Seguros.

Desde 2007, quando entrou no programa, já realizou melhorias na propriedade: mudou as cercas, contratou um guardião e também melhorou a infra-estrutura para receber melhor os estudantes de universidades que visitam a floresta para pesquisar biodiversidade. Além disso, reduziu a criação de carneiros que mantinha – hoje os animais são mantidos cercados e longe das árvores.

Engenheiro florestal de formação, Crema foi professor e hoje complementa a aposentadoria com a renda da pequena construtora da família. Ele mora em Curitiba e costuma passar os fins de semana na mata que mantém em Bocaiúva do Sul, a 70 quilômetros da capital. Lá, até a criação de abelhas que mantém está prestes a se adequar ao ideal da biodiversidade: ele substituirá as colméias de abelhas comuns pelas de abelhas nativas da floresta com araucárias.

Outro exemplo de propriedade beneficiada pelo programa é do aposentado Pedro Opuchkevich, de 56 anos, da cidade paranaense de Prudentópolis. Ele recebe cerca de R$ 1,1 mil por mês para preservar a área de floresta comprada por seu pai há 45 anos. Com o dinheiro que recebe, pretende fazer melhorias, como a instalação de energia elétrica na propriedade, o que custará cerca de R$ 7 mil.

Ganho de escala

Como não existe regra para projetos de desmatamento evitado no país, Clóvis Borges diz que cada instituição trabalha com seu próprio método para garantir a preservação. Ele admite que a ação da SPVS “tem algo de desespero”. “Nós atuamos como bombeiros. O nosso desafio é ganhar escala, pois ainda não fechamos um modelo que seja aplicável para o Brasil inteiro”, ressalta.

Enquanto a SPVS remunera seus produtores a partir de uma metodologia de absorção de carbono, um projeto da Fundação O Boticário nas margens da represa do Guarapiranga, que abastece 4 milhões de pessoas no estado de São Paulo, usa um método completamente diferente: remunera as propriedades com base em colaboração para a manutenção do fluxo e da qualidade da água.

As propriedades incluídas no projeto da Fundação O Boticário recebem, em média, R$ 15,5 mil ao ano, ou pouco menos de R$ 1,3 mil por mês. A maior área, porém, tem 270 hectares de mata preservada e recebe R$ 93,7 mil ao ano, ou R$ 7,8 mil mensais.

Segundo a diretora-executiva da fundação, Malu Nunes, os contratos de pagamento pela preservação das áreas foram firmados por cinco anos. Ao fim deste prazo, ela espera que o mercado de pagamento por serviços ambientais no Brasil já esteja desenvolvido. “[É preciso] criar um mercado de serviços ambientais, um marco legal”, diz Malu.

Para Borges, da SPVS, é preciso que os serviços ambientais sejam tratados como “ativos passíveis de pagamento”. À medida que o cálculo do que deve ser remunerado ficar mais abrangente, diz o ambientalista, os proprietários das áreas poderão receber mais por um maior número de serviços oferecidos por suas propriedades, como biodiversidade, polinização, contribuição para o equilíbrio climático e conservação do solo, por exemplo.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Economia

sábado, 26 de dezembro de 2009

PRODUÇÃO DE CARVÃO VEGETAL NO BRASIL

Segundo dados do Balanço Energético Nacional, 31,5% de toda energia produzida no Brasil teve com origem a biomassa vegetal.

A lenha e o carvão vegetal representam 11,4% deste total. Se a madeira tem grande destaque como fonte de energia em nosso País,isso deve-se ao carvão vegetal que dela é oriundo. Ainda segundo a mesma fonte, o Brasil produziu cerca de dez milhões de toneladas de carvão vegetal, dos quais 84% foram utilizados na industria siderúrgica, para a produção de ferro, 8% para consumo residencial e 8% para outras atividades. Esses números colocam o Brasil como o maior produtor de carvão vegetal do mundo.

Na maioria das vezes, as questões relativas ao uso da madeira para energia são tratadas de forma marginal, principalmente no momento da tomada de decisão de ordem estratégica para o País, quer seja no âmbito do setor energético, quer seja no âmbito do setor florestal brasileiro.

Entretanto o principal e talvez o mais importante dos problemas ligados a produção de carvão vegetal no Brasil, está relacionado a oferta de matéria- prima. Números da Associação Mineira de Silvicultura (AMS) mostram que em 2008, de todo o carvão vegetal produzido no país, 47,4% da matéria prima utilizada teve origem de matas nativas.

Embora a situação atual na oferta de matéria prima é indesejável sob todos os aspectos ela pode ser perfeitamente solucionada. De acordo com Associação Brasileira de Florestas Plantadas (ABRAF), existem aproximadamente seis milhões de hectares de floresta plantada no Brasil, sendo 4,26 milhões de hectares plantados com Eucalyptus e estas plantações ocupam menos que 1% da área agricultável do Brasil. Dentro deste cenário temos um potencial de crescimento fabuloso e com perspectivas animadoras. Nosso País possui água e energia solar, ideais para o crescimento de muitas espécies arbóreas, o que nos coloca em posição de vantagem comparativa invejável. Por exemplo, nossa produção de madeira por hectare por ano pode atingir a marca de 50 m3, em muitas regiões do País, ao passo que na Finlândia não passa dos 5 m3 por hectare por ano; ainda assim, este país atingiu um alto grau de desenvolvimento e sua principal renda tem origem no setor florestal.

Estudos de cenário realizados por órgãos do setor florestal brasileiro mostram que para atender a demanda de matéria prima florestal nos próximos 10 anos, o Brasil deve incorporar, até o ano de 2020, mais 7,5 milhões de hectares de florestas, isto é, temos que atingir cerca de 13,5 milhões de hectares

Para que isso ocorra temos que vencer desafios. O primeiro é a produção da biomassa em escala, ou seja, a generalização de plantações florestais. De preferência, estes plantios devem ser estimulados através de definições de políticas públicas e incentivados nas pequenas propriedades de forma integrada com as demais culturas evitando-se a monocultura. Todavia, o país não dispõe de material propagativo em quantidade suficiente e na qualidade desejável, quer sejam mudas ou sementes, para atender a demanda em todas as regiões do país. Assim, é preciso incorporar os pequenos produtores rurais nos processos produtivos através do desenvolvimento de tecnologias simples e baratas e fornecimento de sementes e mudas das espécies arbóreas mais adequadas às condições edafoclimáticas do nosso extenso território.

Outro desafio esta relacionado às tecnologias de conversão da biomassa em energia. O nosso carvão vegetal é hoje produzido, em sua maior proporção, da mesma forma como era no inicio do século passado. A tecnologia é primitiva, o controle operacional dos fornos de carbonização é pequeno e não se pratica o controle qualitativo e quantitativo da produção, como por exemplo, os fornos de carbonização para formação de carvão, chamados de rabos-quentes.

Estes fornos são energeticamente ineficientes, apresentam baixa taxa de conversão desperdiçam os finos de carvão, a moinha, e também os vapores da pirólise, o licor pirolenhoso. Além da perda de produtos que poderiam aumentar a rentabilidade do processo, esta tecnologia não é ambientalmente amigável.

Assim, existe a necessidade de disponibilizar tecnologias mais eficientes e sustentáveis. Por outro lado, deve-se desenvolver e adaptar outras tecnologias ainda não usadas ou em estado embrionário no país, como a compactação de biomassa florestal e a produção de bio-óleo, celulignina, álcool e outros derivados de alto valor agregado.

Estes produtos podem promover o aumento da densidade energética da biomassa proporcionando, dentre outras vantagens, uma logística de transporte competitiva. Uma boa notícia é que, preocupadas com essas questões, algumas das mais importantes empresas do setor vêm já há vários anos realizando ações no sentido de estudos e efetivas implantações de sistemas de recuperação desses produtos gasosos para a geração de insumos químicos e energéticos, o que contribuirá sobremaneira para sedimentar definitivamente a posição do Brasil como referência mundial na produção de energia a partir da biomassa florestal.

*Fonte: Painel Florestal

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

SILVICULTURA: UTILIZAÇÃO DE CARVÃO VEGETAL

Trecho do programa Ecologia e Cidadania, produzido pela Organização Ponto Terra, onde Bernardo de Vasconcellos Moreira, presidente da Associação Mineira de Silvicultura fala sobre este tema.