Florestas plantadas não são apenas eficientes unidades produtoras de matérias primas.
Como conjuntos vivos e dinâmicos em constante interação com os meios biótico e
abiótico, podem e devem desempenhar funções econômicas, ambientais e sociais sem
antagonismo com os princípios de sustentabilidade.
O contexto no qual se inserem e os seus benefícios em resposta às condições locais
serão diferentes em função do objetivo proposto. Não se espera que florestas plantadas substituam ou sejam consideradas como florestas nativas, e sim como fontes renováveis de provisão de produtos e serviços demandados em escala crescente pela sociedade em nível global. Esses serviços podem inclusive ter vertentes amplamente ambientais, como é o caso de florestas de proteção, abrigo e de barreiras contra o vento ou contra a desertificação.
As pesquisas científicas que proporcionaram desenvolvimento espetacular na
produtividade e na qualidade dos produtos de florestas plantadas, incluindo a biotecnologia aliada às práticas de manejo, devem ser fortalecidas para atender as novas demandas, incluindo a agrosilvicultura, e para equacionar possíveis paradigmas com relação à provisão de serviços sociais e ambientais , vi-à-vis os novos modelos de produção.
A expansão das plantações florestais principalmente em países tropicais, em função de
suas vantagens comparativas, para onde já se observam deslocamentos de investidores
institucionais, como TIMOs, REITs e outros, exigirá também desses atores postura de
gestão que valorize os demais serviços dessas florestas e não apenas os fins
econômicos.
A madeira apresenta expressiva vantagem de eficiência energética em relação a vários
outros materiais cujos custos para a natureza são de 10 a 200 vezes maiores . Florestas plantadas são recursos renováveis, possibilitam a obtenção de produtos reaproveitáveis e recicláveis.
O mercado de serviços ambientais para florestas plantadas não está ainda devidamente
estruturado, embora haja potencial bastante grande, não só para o seqüestro de carbono, como também para ecoturismo, lazer, proteção de mananciais, restauração de paisagens, recuperação de áreas degradadas, e amenização da temperatura e da poluição em “ilhas de calor” em grandes metrópoles.
As indústrias com base em plantações florestais, que em sua trajetória de desenvolvimento superaram desafios, inovaram nos processos de produção, promoveram
o uso múltiplo da madeira, apostaram em tecnologias de ponta e foram pioneiras na
adoção de manejo sustentável, deverão buscar novos modelos de sustentabilidade e dar
respostas concretas para a solução dos desafios que se apresentam.
Florestas plantadas são uma forma legítima de uso da terra e, em muitos países e
regiões, são opções vitais para fins de produção e/ou de proteção. Embora ocupem
apenas 2% da superfície terrestre, em alguns locais estão surgindo conflitos de interesse que necessitam ser tratados mediante planejamento participativo com os grupos legítimos de representação.
Deve ficar claro a todos que qualquer atividade intensiva gera impactos, mesmo se
tratando de florestas. Entretanto, eles podem ser minimizados, quando negativos, e
maximizados, quando positivos. Além disso, há sempre que se buscar o equilíbrio entre
as demandas econômicas da sociedade e os aspectos ambientais, sociais, culturais e
antropológicos. Por essa razão, o diálogo entre as partes interessadas deverá crescer em importância nos processos de tomadas de decisões de agora em diante.
Madeira de origem legal ou certificada é uma preocupação global e passará a ser exigida, inclusive em mercados domésticos, o que já ocorre por meio de políticas de compras públicas e privadas em vários países. Florestas plantadas, por si só, são instrumentos de controle e de desestímulo à produção e comércio de madeira ilegal.
Certificação independente do manejo florestal sustentável e outros mecanismos
voluntários de comprovação de responsabilidade corporativa (selos verdes, certificações de gestão ambiental, de responsabilidade social, saúde e segurança do trabalhado ) deverão crescer como instrumentos de acesso aos mercados verdes e de qualificação das florestas plantadas no atendimento de seus predicados sócio-econômicos e ambientais. Em vários países, mais da metade das plantações florestais está certificada; em outros, a quase totalidade está certificada. É possível estimar que em 2020 cerca de 80% da madeira industrial oriunda de plantações florestais esteja certificada.
É necessário estabelecer um ambiente de sinergia e de compreensão internacional que
favoreça a adoção das florestas plantadas como estratégia e como um dos vetores de
desenvolvimento sustentável para a superação de desafios e atendimento das demandas
futuras da sociedade.
Texto de:
Rubens Garlipp-- Diretor Executivo da Sociedade Brasileira de Sivicultura
Celso Foelkel-- Conselheiro da Sociedade Brasileira de Silvicultura
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terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
LUCRO VERDE
As empresas brasileiras, enfim, aprenderam a ganhar dinheiro com os créditos de carbono, espécie de moeda ambiental trocada por projetos que promovam a redução da emissão de gás carbono na atmosfera. A Suzano Papel e Celulose vendeu por US$ 100 mil, em junho deste ano, os créditos adquiridos com a não emissão de 25 mil toneladas de carbono. "Sabemos que esse será um dos negócios mais lucrativos no futuro", diz Luiz Cornacchioni, diretor de relações institucionais da Suzano.
O valor poderia ser maior. Isso porque esses créditos foram provenientes de florestas nativas. As vendas resultadas dessa modalidade não são negociadas nas bolsas de valores credenciadas pela ONU. Por isso, esses créditos são vendidos a preços baixos até dez vezes menores, em mercados voluntários, como a Bolsa do Clima de Chicago. Em breve isso pode mudar.
Na 15ª Conferência Mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a ser realizada em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, o governo brasileiro irá propor que esses créditos sejam negociados nas bolsas credenciadas pela ONU. Se isso acontecer, tanto o País quanto as empresas brasileiras que mantêm áreas preservadas podem multiplicar seus ganhos com as não emissões.
"Apenas em 2008, as vendas de carbono feitas pelo Brasil somaram US$ 20,8 milhões", afirma Maurik Jehee, superintendente das vendas de crédito de carbono do Santander Brasil. "Se as florestas do País pudessem ser vendidas nas bolsas certificadas pela ONU, esse número subiria para US$ 350 milhões ao ano", completa Jehee. Segundo Bracelpa, Associação Brasileira de Celulose e Papel, apenas o setor de papel e celulose é capaz de gerar atualmente 42 milhões de toneladas de crédito de carbono. A mudança chegaria num momento especial para as empresas brasileiras. O motivo: depois de anos, elas começam a ganhar dinheiro com a venda de créditos de carbono.
Para se ter uma ideia, o Brasil é hoje o terceiro país que mais apresenta projetos de não emissão à ONU, atrás da China e da Índia, respectivamente. Esses processos evitaram que, em 2008, 35 milhões de toneladas de dióxido de carbono fossem jogadas no ar pelas companhias e algumas, finalmente, já começam a lucrar com isso.
Uma delas é a fabricante de papel e celulose International Paper, que realizou sua primeira venda de créditos no ano passado. Com a troca de energia combustível por limpa em uma das fábricas, a empresa deixou de emitir 211 mil toneladas de gás. Conclusão: os créditos foram vendidos por US$ 1,2 milhão na bolsa de valores de Chicago, nos EUA. Mais 78 mil toneladas deverão ser comercializadas no próximo ano.
"Estamos investindo em outras formas de redução porque queremos ganhar muito mais com isso", afirma Robson Laprovitera, gerente florestal da International Paper. Se por enquanto os créditos emitidos por preservação de florestas têm de ser vendidos apenas em bolsas voluntárias, os provenientes de outros processos podem ser comercializados diretamente para empresas estrangeiras. Foi o que fez a siderúrgica Arcelor Mittal Tubarão.
A companhia recebeu em setembro o primeiro pagamento da venda que fez ao banco alemão KFW de 213 mil toneladas de gás deixados de emitir. Só nesta negociação, a Arcelor faturou e 2,6 milhões e a intenção é poluir menos para lucrar muito mais nos próximos anos. Um outro lote de 100 mil toneladas está sendo auditado para ser vendido ainda este ano. "Nas vendas diretas para empresas, a vantagem é que conseguimos barganhar preços melhores", diz Luiz Antonio Rossi, gerente de meio ambiente.
Fonte: Isto É
O valor poderia ser maior. Isso porque esses créditos foram provenientes de florestas nativas. As vendas resultadas dessa modalidade não são negociadas nas bolsas de valores credenciadas pela ONU. Por isso, esses créditos são vendidos a preços baixos até dez vezes menores, em mercados voluntários, como a Bolsa do Clima de Chicago. Em breve isso pode mudar.
Na 15ª Conferência Mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a ser realizada em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, o governo brasileiro irá propor que esses créditos sejam negociados nas bolsas credenciadas pela ONU. Se isso acontecer, tanto o País quanto as empresas brasileiras que mantêm áreas preservadas podem multiplicar seus ganhos com as não emissões.
"Apenas em 2008, as vendas de carbono feitas pelo Brasil somaram US$ 20,8 milhões", afirma Maurik Jehee, superintendente das vendas de crédito de carbono do Santander Brasil. "Se as florestas do País pudessem ser vendidas nas bolsas certificadas pela ONU, esse número subiria para US$ 350 milhões ao ano", completa Jehee. Segundo Bracelpa, Associação Brasileira de Celulose e Papel, apenas o setor de papel e celulose é capaz de gerar atualmente 42 milhões de toneladas de crédito de carbono. A mudança chegaria num momento especial para as empresas brasileiras. O motivo: depois de anos, elas começam a ganhar dinheiro com a venda de créditos de carbono.
Para se ter uma ideia, o Brasil é hoje o terceiro país que mais apresenta projetos de não emissão à ONU, atrás da China e da Índia, respectivamente. Esses processos evitaram que, em 2008, 35 milhões de toneladas de dióxido de carbono fossem jogadas no ar pelas companhias e algumas, finalmente, já começam a lucrar com isso.
Uma delas é a fabricante de papel e celulose International Paper, que realizou sua primeira venda de créditos no ano passado. Com a troca de energia combustível por limpa em uma das fábricas, a empresa deixou de emitir 211 mil toneladas de gás. Conclusão: os créditos foram vendidos por US$ 1,2 milhão na bolsa de valores de Chicago, nos EUA. Mais 78 mil toneladas deverão ser comercializadas no próximo ano.
"Estamos investindo em outras formas de redução porque queremos ganhar muito mais com isso", afirma Robson Laprovitera, gerente florestal da International Paper. Se por enquanto os créditos emitidos por preservação de florestas têm de ser vendidos apenas em bolsas voluntárias, os provenientes de outros processos podem ser comercializados diretamente para empresas estrangeiras. Foi o que fez a siderúrgica Arcelor Mittal Tubarão.
A companhia recebeu em setembro o primeiro pagamento da venda que fez ao banco alemão KFW de 213 mil toneladas de gás deixados de emitir. Só nesta negociação, a Arcelor faturou e 2,6 milhões e a intenção é poluir menos para lucrar muito mais nos próximos anos. Um outro lote de 100 mil toneladas está sendo auditado para ser vendido ainda este ano. "Nas vendas diretas para empresas, a vantagem é que conseguimos barganhar preços melhores", diz Luiz Antonio Rossi, gerente de meio ambiente.
Fonte: Isto É
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
LUCRO VERDE
Links que recomendamos:
Texto sobre
Lucro Verde no site da Associação Mimeira de Silvicultura
Vale a pena conferir
Texto sobre
Lucro Verde no site da Associação Mimeira de Silvicultura
Vale a pena conferir
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
EUCALIPTO É ALTERNATIVA PARA ÁREAS DEGRADADAS
Engana-se quem pensa que o eucalipto é uma monocultura que degrada o meio ambiente. Pelo contrário: o eucalipto é uma alternativa para reflorestar áreas devastadas, pois contribui com a manutenção do solo, ao permitir a infiltração da água, e reduz a pressão sobre as florestas naturais.
“O eucalipto absorve grande quantidade de CO2 da atmosfera, o que diminui a poluição e combate o efeito estufa. Estima-se que 1 hectare de floresta sequestra anualmente 41 toneladas de CO2”, conta Carlos Roses, gerente operacional da Unidade Madeira da Eucatex. A empresa possui 44 mil hectares de florestas próprias de eucalipto, e toda essa área é certificada com a ISO 14001 e o Selo Verde, concedido pela Scientific Certification Systems (SCS), entidade ligada ao Conselho de Manejo Florestal, o Forest Stewardship Council (FSC), dos Estados Unidos.
Roses chama a atenção para o seguinte dado: 1 hectare de floresta de eucalipto produz a mesma quantidade de madeira que 30 hectares de florestas naturais. Para garantir a biodiversidade, a Eucatex faz um monitoramento permanente da fauna em suas florestas, onde já foram identificadas mais de 150 espécies de aves e 20 de mamíferos. Cinco desses animais figuram entre os que estão em extinção, tais como Pinhé, Pavó, Soldadinho, Nhambu e Coleirinha.
“O plantio de eucalipto, respeitando o correto manejo florestal, constitui um importante mecanismo de sustentabilidade do planeta. Reduz o aquecimento global, preserva as nascentes e os corpos d’água, diminui a pressão sobre mata nativa, gera empregos no campo e é uma fonte de renda autorrenovável. Daí ser uma alternativa contra o desmatamento”, finaliza o executivo da Eucatex.As informações são de assessoria de imprensa.
fonte: Safra News
“O eucalipto absorve grande quantidade de CO2 da atmosfera, o que diminui a poluição e combate o efeito estufa. Estima-se que 1 hectare de floresta sequestra anualmente 41 toneladas de CO2”, conta Carlos Roses, gerente operacional da Unidade Madeira da Eucatex. A empresa possui 44 mil hectares de florestas próprias de eucalipto, e toda essa área é certificada com a ISO 14001 e o Selo Verde, concedido pela Scientific Certification Systems (SCS), entidade ligada ao Conselho de Manejo Florestal, o Forest Stewardship Council (FSC), dos Estados Unidos.
Roses chama a atenção para o seguinte dado: 1 hectare de floresta de eucalipto produz a mesma quantidade de madeira que 30 hectares de florestas naturais. Para garantir a biodiversidade, a Eucatex faz um monitoramento permanente da fauna em suas florestas, onde já foram identificadas mais de 150 espécies de aves e 20 de mamíferos. Cinco desses animais figuram entre os que estão em extinção, tais como Pinhé, Pavó, Soldadinho, Nhambu e Coleirinha.
“O plantio de eucalipto, respeitando o correto manejo florestal, constitui um importante mecanismo de sustentabilidade do planeta. Reduz o aquecimento global, preserva as nascentes e os corpos d’água, diminui a pressão sobre mata nativa, gera empregos no campo e é uma fonte de renda autorrenovável. Daí ser uma alternativa contra o desmatamento”, finaliza o executivo da Eucatex.As informações são de assessoria de imprensa.
fonte: Safra News
sexta-feira, 3 de julho de 2009
SANTANDER FINANCIA CRÉDITOS DE CARBONO

O Santander anunciou nesta quarta feira (01/07/09) a criação de uma linha de crédito voltada ao financiamento de projetos que originem créditos de carbono. No valor de € 50 milhões, a linha já está disponível e será utilizada na compra, pelo banco, de créditos de carbono gerados por empresas no Brasil, no Chile e no México. A idéia do Santander é acumular esses créditos em volume suficiente para que sejam revendidos a companhias européias, especialmente do setor de geração de energia. O lançamento é resultante do processo de união entre as operações de Santander e Banco Real, que já atuavam neste segmento de negócio, porém com operações distintas. Até então, os projetos vendedores de créditos de carbono só viam a cor do dinheiro no momento da entrega efetiva dos créditos, o que podia levar alguns anos.
Com a nova linha, poderão receber no ato o pagamento por créditos que serão entregues no futuro, com prazo máximo até o final de 2012, quando vence o primeiro período do Protocolo de Kyoto. Diante disso, somente os projetos registrados, ou em processo de validação, no chamado Mercado Kyoto é que poderão pleitear os recursos da linha de crédito. O preço a ser pago irá depender do risco de cada projeto, que poderá ser calculado pelo próprio Santander ou por empresas de auditoria. Isso coloca os projetos que já estão registrados em condições mais vantajosas, em termos de preço, para a venda de seus créditos. De acordo com dados da ONU, os projetos registrados nos três países incluídos na linha de crédito do Santander somam hoje 307, sendo 159 no Brasil, 115 no México e 33 no Chile.
Fonte: Painel Florestal
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