terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

VENCE EM JUNHO O PRAZO PARA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL EM MINAS GERAIS

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2006, Minas tem cerca de 550 mil propriedades rurais, destas, somente cerca de 50 mil tem reserva legal averbada. A média de averbações anuais tem sido de 4 mil ao ano. Desde 2007 o IEF vem buscando medidas para ampliar a averbação da reserva legal, inicialmente, foi criado um núcleo que devido à grande extensão do trabalho se transformou em um centro, o Cearel.

Com a edição de Decretos Federais, a partir de 2007, foram concedidos prazos para a regularização e responsabilização para quem não houvesse averbado sua Reserva Legal, prazos esses adiados para os anos seguintes, a atual data final para a averbação da reserva legal é 11 de junho de 2011. O diretor de Desenvolvimento e Conservação Florestal do IEF, José Medina, ressalta que a legislação que trata deste assunto não é recente, data de 1965.

Para tentar agilizar o trabalho o IEF realizou cerca de 12 treinamentos para capacitar profissionais de fora do órgão na realização dos tramites técnicos da reserva legal. No total foram capacitados 700 novos técnicos que podem atuar em processos de averbação. Uma força de trabalho que pode aumentar significativamente o número de averbações. Porém, esses profissionais são autônomos, o que significa um custo para quem não pode esperar pelo técnico do IEF.

A expectativa para 2011 é que o número de averbações aumente significativamente e novos cursos serão realizados para capacitação de mais técnicos.

Reserva Legal

A reserva legal é uma área dentro da propriedade rural representativa do ambiente natural da região e necessária à preservação e conservação dos recursos naturais. O tamanho desta área é de no mínimo 20% da área total da propriedade, excluindo as áreas de preservação permanente.

A regularização da reserva legal é feita pelo IEF. O uso desta área fica restrito a atividades que possibilitem a utilização sustentável deste espaço. Se averbadas todas as reservas de Minas Gerais seriam 11% da área do Estado preservada, cerca de 6 milhões de hectares.

FONTE: Ascom/ Sisema

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PORQUE PLANTAR EUCALIPTO É UM BOM NEGÓCIO?

Em diversas regiões do Mato grosso do Sul e do Brasil, encontramos agricultores e pecuaristas insatisfeitos com os resultados dos modelos convencionais de produção, preços injustos ou inviáveis, além das intempéries ocorridas com muita freqüência. Portanto, a otimização da propriedade rural, modelos modernos de gestão, sistemas integrados de produção, aproveitamento de todos os metros quadrados da área, alternativas de produção e cultivos, tem sido termos atrativos e muito utilizados nos últimos anos, perante os problemas enfrentados no campo. O cultivo de eucalipto se torna uma das melhores alternativas como complemento de renda com resultados fantásticos, principalmente pela elasticidade de adaptação em qualquer região do país.

Existem espécies compatíveis para cada realidade, desde o solo, clima, até a finalidade que será destinada essa madeira. A escolha deverá ser realizada no planejamento, pois são muitas as variedades de clones e sementes disponíveis no mercado. Várias empresas, corporações, instituição de pesquisa como a EMBRAPA florestas, IPEF, universidades, contém informações importantíssimas como suporte em todas as etapas, que facilitam a tomada de decisões.

A maioria dos produtores são imediatistas, “pensam pra ontem”. O planejamento da área, como uma empresa rural, com a introdução do componente florestal, terá rendimentos a curto prazo com a agricultura e pecuária; a médio prazo com o desbaste da madeira, a colheita de sementes ou frutos das árvores, além dos resultados da integração como bem-estar animal, umidade, produtividade, ciclagem de nutrientes, dentre inúmeros outros; e a longo prazo com o corte raso das árvores, utilizando a madeira com alto valor agregado para diversas finalidades.

São muitos os interessados na implantação florestal, por ser altamente rentável e a demanda por produtos florestais ter crescido drasticamente. Do ponto de vista econômico, a formação de florestas de produção representa um mercado responsável por 4% do PIB nacional, tendo como principais segmentos: o papeleiro, com a produção de celulose para a indústria de papel; o energético com a produção de carvão, e o moveleiro com a produção de chapas e laminados para a fabricação de móveis.

Do eucalipto podem ser extraídos vários produtos. Das folhas, extraem-se óleos essenciais empregados em produtos de limpeza, alimentícios, em perfumes e até em remédios. A casca oferece tanino, usado no curtimento do couro. O tronco fornece madeira para sarrafos, lambris, ripas, vigas, postes, varas, esteios para minas, mastros para barco, tábuas para embalagens e móveis. Muitas regiões aproveitam seu ciclo curto para produção de lenha, que gera energia. O aproveitamento dos resíduos de serrarias e industrias moveleiras como maravalha e serragem para diversos fins, e até mesmo briquetes e pellets, que chegam ser exportados para Europa com finalidade energética para lareiras, pizzarias e restaurantes. Sua fibra é utilizada como matéria-prima para a fabricação de papel e celulose. A engenharia civil e arquitetura estão usando cada vez mais na atualidade, por ser inovador, autêntico e sustentável. Dependendo do manejo utilizado, finalidade e região do país, os rendimentos podem variar de R$ 1.500,00 até R$ 4.000,00 por hectare ao ano, ou seja, um dos melhores retornos do agronegócio.

Além dos cultivos maciços (somente eucalipto) temos os sistemas agroflorestais (SAF´s) se encaixam perfeitamente pela necessidade de mudança e produção sustentável. Estes se dividem em sistemas silvipastoris (florestas com pastagens); silviagrícolas (florestas com agricultura); e agrossilvipastoris (florestas com agricultura e pecuária simultânea ou seqüencial). Na integração Lavoura-Pecuária-Floresta a distribuição de mão-de-obra é mais uniforme durante o ano, existe uma melhoria das condições de vida promovida pela diversidade de produção, pois diminui os riscos e incertezas do mercado. As árvores no sistema funcionam como quebra-vento, mantendo a umidade do solo, aumentando a fixação de nutrientes, restaurando as propriedades químicas, físicas e microbiológicas do solo, melhorando a qualidade da cultura ou pasto. Além da exploração racional dos recursos disponíveis, aumenta a renda do agropecuarista, e resulta em maior estabilidade econômica.

Estes são apenas alguns dos infinitos benefícios resultantes das florestas plantadas ou da integração, pois uma imensa quantidade de espécies de eucalipto pode ser utilizada, e em diversos arranjos espaciais, delineados de acordo com cada realidade, tipo de solo, clima, temperatura e localização. Seja para a pequena, média ou grande propriedade, todos podem aderir aos plantios florestais ou sistema agrossilvipastoril, sem restrições. Temos esta tecnologia fantástica para ser utilizada a favor do homem do campo, bastam coletar as informações adequadas, planejar bem a área e colher excelentes resultados ambientais, econômicos e sociais.

Engº Agrº Pedro Francio Filho

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

CÓDIGO FLORESTAL SERÁ VOTADO ATÉ MARÇO AFIRMA O NOVO PRESIDENTE DA CÂMARA


O Código Florestal está entre as matérias prioritárias para serem votadas este semestre na Câmara dos Deputados. A afirmação foi feita nessa quarta-feira, 2, pelo novo presidente da Casa, Marco Maia(PT-RS).

De acordo com o deputado federal, a intenção é votar até março a proposta que cria o novo Código Florestal. “Vamos trabalhar no sentido de viabilizar os consensos necessários”, disse. “Quando as matérias estiverem prontas para serem votadas por acordo serão votadas”, ressaltou.

O deputado destacou que irá manter a interpretação dada pelo ex-presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), de que projetos que não possam ser tratados por medida provisória possam ser votados em sessão extraordinária, mesmo que haja medida provisória trancando a pauta das sessões ordinárias.

“Foi uma interpretação adequada feita pela Mesa, referendada pelo Temer e que se mostrou eficiente para dar condições ao parlamento de votar outras matérias que não aquelas oriundas do Executivo ou do Judiciário. Vamos trabalhar diuturnamente para construir uma agenda que seja do parlamento”, disse.

Fonte: Painel Florestal

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PREPARAÇÃO IDEAL DO SOLO PARA PLANTIO DE EUCALIPTO

Revolvimento do solo

È muito importante revolver o terreno para facilitar o plantio, fixar as raízes, aumentar a absorção de umidade, melhorar o crescimento e sobrevivência das mudas, além de facilitar o controle das plantas daninhas. Atualmente, não é mais recomendado o uso de arado ou grades pesadas, porque estes equipamentos causam uma revirada e perturbação nas camadas do solo, com prejuízos no aproveitamento da sua fertilidade natural e perda da matéria orgânica; ao invés disso, têm sido utilizados, preferencialmente, o subsolador e sulcador, somente nas linhas de plantio, objetivando o cultivo mínimo. Não se deve fazer o revolvimento do solo nos terrenos inclinados para não provocar erosão; nesse caso, as covas devem ser grandes para garantir o bom desenvolvimento das mudas.


Espaçamento
Por espaçamento entende-se a área ou espaço necessário para o crescimento e o desenvolvimento das plantas. O espaçamento é definido em função da espécie, grau de melhoramento, fertilidade do solo e dos produtos finais a serem obtidos. Os espaçamentos mais utilizados pelas empresas de reflorestamento estão apresentados abaixo

Espaçamento, densidade de plantas e finalidade de plantio mais utilizados nas empresas de reflorestamento no Brasil.

Espaçamento (m) Nº de plantas por hectare Finalidade do plantio
3,0 x 1,5 2,222 lenha, carvão, mourão, celulose

3,0 x 2,0 1,667 lenha, carvão, mourão, celulose

2,5 x 2,5 1,600 lenha, carvão, mourão, celulose

3,0 x 3,0 1,111 celulose, carvão, lenha, serraria

O espaçamento ideal é aquele que produz o máximo de madeira em volume, forma e qualidade, com o menor custo. O mais recomendado é que os plantios tenham, no mínimo, entre 6 a 9 metros quadrados por planta, com o mínimo de três metros entre as linhas de plantio.

Fonte: Prof. José de Castro Silva

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CASCA DE EUCALIPTO NA PRODUÇÃO DE ETANOL

A viabilidade da produção de etanol a partir das cascas de eucaliptos descartadas pelas fábricas de celulose e papel foi comprovada em pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.


Passivo ambiental vira energia
Os experimentos realizados pelo químico Juliano Bragatto demonstram que uma tonelada de resíduo gera 200 quilos de açúcares, que permitirão produzir 100 litros de etanol.

Esta produção pode dobrar com o aproveitamento do açúcar existente na estrutura das cascas.

O químico conta que a indústria de papel e celulose gera um resíduo de cascas de eucalipto que em geral não é aproveitado.

"Em alguns casos, é feita a queima para produção de energia, mas a grande quantidade de cinza gerada torna o processo bastante insatisfatório", diz Bragatto. "Para evitar a formação de um passivo ambiental, foi avaliada a composição química das cascas para saber o potencial de transformação em bioetanol".

Casca de eucalipto

A casca do eucalipto possui açúcares solúveis que podem ser prontamente postos em contato com as leveduras que produzem o etanol por meio de fermentação.

"Entre eles se encontram a glicose, a frutose e a sacarose", afirma o químico. A casca fresca, obtida logo após o corte da madeira, possui 20% de açúcares solúveis. "Este número cai pela metade em um período de dois a três dias, porque ocorre a degradação dos açúcares na casca, por isso o ideal seria aproveitar o resíduo imediatamente após ser produzido."

Uma tonelada de resíduos pode gerar 200 quilos de açúcares, volume suficiente para produzir 100 litros de etanol.

"Somando-se o açúcar que pode ser obtido da quebra da celulose, estima-se uma produção adicional de 94 litros, dobrando o rendimento de etanol", destaca Bragatto. "Havia a possibilidade de alguns compostos químicos presentes na casca do eucalipto inibirem a fermentação, prejudicando a produção de álcool, o que não aconteceu."

Florestas energéticas

O rendimento do processo de produção do etanol a partir dos resíduos de eucaliptos é semelhante ao do álcool de cana-de-açúcar.

"As cascas são submetidas a uma lavagem com água a 80 graus, onde se obtém uma infusão que é posta em contato com as leveduras", explica o químico. "Também é possível moer a casca e a realizar a fermentação com o caldo obtido, da mesmo modo que a cana."

As pesquisas deverão prosseguir com a utilização de um maior número de variedades de eucalipto, para verificar com exatidão a composição química das cascas e a quantidade de açúcar disponível.

"Este conhecimento é um passo importante para consolidar o conceito de florestas energéticas", destaca Bragatto. "Uma vez obtido o açúcar, ele pode ter outras aplicações, como servir de matéria-prima na produção de bioplásticos e biopolímeros."

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

BIOMASSA: A ENERGIA DO FUTURO


A utilização da energia da biomassa é considerada estratégica para o futuro, pois é uma fonte renovável de energia.

No Brasil a lenha ocupa a terceira posição em fonte de energia utilizada, sendo extraída das poucas reservas que restam no país. É nesse contexto que entra a geração de biomassa a partir do eucalipto.

O gerente de Projetos - Biomassa da Gaia Energia Participações S/A, André Luis Escobar, explica como funciona esse processo de geração de energia que pode ser de grande importância para o nosso futuro. “Por se tratar de biomassa, diferentemente da celulose, deve obter em máximo a utilização de toda massa vegetal, ou seja, utiliza-se também folhas, galhos e copa. Toda essa matéria é levada a usina, onde é triturada e queimada diretamente em uma caldeira, onde se produz vapor em alta pressão e temperatura. Esse vapor aciona uma turbina, que acoplada ao gerador, gera a energia elétrica”.

De acordo com André, a procura por esses tipos de projetos tem sido alta, mas são poucos os que estão em implementação. No entanto, esse pode ser um mercado bastante rentável, mais que outros tipos de geração de energia. “O custo por MW instalado chega a ser menos da metade de uma Hidrelétrica e seu tempo de implantação, desde os estudos ocorre em metade do tempo, se considerarmos, inventario de rio, projeto básico e outros. No entanto deve-se obter bons preço de venda da energia e um baixo custa na biomassa”, afirma.

A energia advinda da biomassa é considerada durável a partir do momento que em que pode-se, através do manejo correto garantir seu ciclo, por exemplo garantindo o reflorestamento ou replantio. E é renovável no sentido de que toda a energia obtida da biomassa veio de processos biológicos. “Essa é uma geração de energia extremamente sustentável e menos agressiva até mesmo que as hidráulicas”, conclui Escobar.

Fonte: Painel Florestal

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

SILVICULTURA CLONAL DE EUCALIPTO

No Brasil, onde há variações das condições naturais entre as regiões, a área de plantios clonais de eucalipto vem sendo ampliada cada vez mais graças à disponibilidade de clones selecionados para as mais diversas regiões e objetivos comerciais, tudo isso juntamente com um custo competitivo.

Para dar início à silvicultura clonal de eucalipto é preciso selecionar árvores com características superiores (Matrizes) e produzir clones desta planta através da propagação vegetativa por meio do regate de brotos. O processo consiste em cortar a árvore selecionada, para que ela emita brotações, os quais são posteriormente coletadas e estaqueadas. A planta entra em processo de enraizamento e é armazenada com as condições devidas na casa de vegetação.

Na casa de vegetação as plantas se desenvolvem e podem ser utilizadas como jardins clonais, sendo utilizadas pra produção de outros clones ou vão para o campo onde originarão um plantio homogêneo o qual atende de forma mais produtiva às diferentes necessidades.

O Plantio com Clones oferece inúmeros benefícios. Há a espécie correta para cada finalidade da madeira e a silvicultura clonal oferece maior produtividade para cada uma delas. Além da padronização do produto a facilidade do manejo também é bem maior em um plantio com clones.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

EMBATE ENTRE AMBIENTALISTAS E RURALISTAS

Este ano na Câmara vem sendo marcado por um forte desacordo entre ambientalistas e ruralistas. A disputa gira em torno do novo Código Florestal, que está em análise na Casa e deve ser votado depois das eleições presidenciais.

O Código Florestal hoje em vigor no Brasil data de 1965. No ano passado começou a funcionar na Câmara a comissão especial para analisar um projeto de lei que altera o Código. A comissão fez mais de 60 reuniões para discutir o assunto. Muitas vezes, o clima ficou tenso.

Apesar das críticas, o projeto do deputado Aldo Rebelo foi aprovado no início de julho e está pronto para ser votado em plenário. Um dos pontos mais polêmicos da proposta é a proibição de abertura de novas áreas para agricultura ou pecuária em qualquer propriedade do País por cinco anos. Em troca, as terras que estavam em uso na agropecuária até julho de 2008 seriam reconhecidas e regularizadas. Outro assunto questionado é a permissão para que os estados alterem as áreas de reserva legal de acordo com estudos técnicos e o Zoneamento Ecológico-Econômico.
Para os ambientalistas, um dos principais problemas do relatório é a diminuição das faixas de proteção ao longo dos rios, o que seria uma ameaça à qualidade das águas. O relatório também excluiu as pequenas propriedades, de até quatro módulos fiscais, da obrigatoriedade de recompor a reserva legal. O documento mantém os percentuais de preservação para as outras propriedades: as reservas legais terão de preservar 80% da vegetação nativa na área de floresta da Amazônia Legal, 35% do Cerrado e 20% da vegetação no resto do País.

Segundo o deputado Germano Bonow (DEM-RS), boa parte das questões polêmicas do novo Código Florestal são de caráter político. Para ele os ambientalistas e ruralistas precisam ceder um pouco, pelo bem do País. “Estamos muito próximos de um acerto quanto ao projeto”, diz. “Precisamos aprender a ver o Brasil não como um todo uniforme, mas respeitando suas partes completamente distintas”.

Fonte: Câmara dos deputados – Adaptado por Painel Florestal

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O CRESCIMENTO DO EUCALIPTO

Segundo o IEA/SP, a rentabilidade do eucalipto é maiorque a do boi em São Paulo e pode empatar ou superar a da cana-de-açúcar.São Paulo possui 800 mil hectares de eucalipto, o líder do ranking é MG com 1,3 milhão de hectares de área plantada.

Francisco Cândido da Silva é um português da ilha da Madeira que imigrou para o Brasil há quase 60 anos. Na época, ele preferiu a mudança a correr risco de ser convocado pelo exército e enviado para a África para combater os movimentos separatistas nas antigas colônias nde Angola e Moçambique, durante a ditadura salazarista (Antônio de Oliveira Salazar governou Portugal de 1932 a 1968). Francisco deixou a família em uma pequena propriedade produtora de banana e açúcar e prometeu que algum dia voltaria a viver no campo- se não em Portugal, pelo menos no Brasil.

Seu Chico, como é mais conhecido, cumpriu atividades diferentes, em várias cidades brasileiras, até se aposentar por uma multinacional da área química na região metropolitana de São Paulo. Filhos criados, decidiu retornar sua jura e comprou um sítio em Salesópolis, não muito longe da capital paulista. Na época, seu projeto resumia-se a uma vida da mais pacata possível, compequenos cultivos de hortaliça, umas galinhas no quintal, um porquinho ou dois. A zona rural do munícipio passava, porém, por grande transformação. Pequenos e médios produtores rurais há muito estabelecidos naregião começavam a investir pesado no plantio de eucalipto.

A sivicultura tornou-se uma alternativa rentável naquelas áreas montanhosas, de baixa fertilidade- por isso mesmo menos disputadas pela agricultura tradicional. Tais áreas são inviáveis até mesmo para grandes empresas de papel e celulose, que precisam de terras planas para mecanizar o plantio e a colheita dos eucaliptais. Há sete anos, Seu Chico decidiu propor sociedade aos três filhos e a um amigo na formação de 36 hectares com essa árvore originária da Austrália e que começou a ser explorada comercialmente no Brasil no início do século XX. Agora, ele se prepara para colher 10,5 mil m³ de madeira. Seu Chico Cândido poderia antecipar o corte para cinco anos como muitos fazem, mas prefere extrair toras mais grossas, mais valiosas- por isso cumpre o ciclo de seis a sete anos, do plantio à primeira extração.

O atrativo para agricultores como ele está no valor do produto. O pagamento mínimo pe de R$50 por metro estéreo- medida de volume para a lenha (um metro cúbico equivale a 1,55 metro estéreo). E o custo de prodição fica em torno de R$22.

"A conta inclui contratação de trabalhadores para o corte e transporte da madeira", informa Seu Chico. O produtor José Renó do Prado, diretor da Cooperativa Agrícola Mista do Alto Tiête (Camat), que reúne 140 produtores, vê no eucalipto uma das únicas alternativas para a região.

"A cultura tem manejo simples e necessita de pouco capital". Segundo ele o investimento inicial é de R$0,25 na compra da muda e mais R$2 para cada metro estéreo- nas aplicações de adubo, herbicida e limpeza da área.
Dos 800 mil hectares de eucaliptais de São Paulo, 20% são conduzidos por pequenos e médois agricultores, conforme levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secreataria da Agricultura de São Paulo.

Os dados apontam que, em 1995, eles eram 30 mil produtores; em 2008, já somavam 44 mil. Na avaliação do pesquisador Eduardo Pires Castanho Filho, a ocupação com a cultura vem ocorrendo em especial nas áreas de pastagens degradadas. "A pouca exigência por solos férteis é mais um atrativo do eucalipto, que não entra na disputa como outras culturas que necessitam de mais adubação", explica. O outro estímulo oferecido pela cultura é que, após ser cortada, brota por mais duas vezes, em um ciclo que dura 15 anos. No entanto, é na contabilidade final que o plantio se mostra mais rentável para o produtor. na comparação do IEA, a rentabilidade anual da criação de gado em São Paulo, nos últimos cinco anos, foi de R$150 por hectare. No mesmo período, a do eucalipto chegou a atingir R$1 mil, superando às vezes a da cana-de-açúcar, que oscila entre R $800 e R$ 1 mil.

Pela primeira vez, Jovinal de Mello Bruno lida com esse plantio. Na juventude ele trabalhou com a criação de animais e o cultivo de hortaliçascom a família. Depois, arrumou emprego em São Paulo, mas percebeu que poderia voltar para Salesópolis se trabalhasse com eucaliptos. Ele se juntou ao pai e ao sogro, em uma área de 12 hectares, e produzem entre 1,6 mil e 2,2 mil metros estéreos a cada cinco anos. Presidente da Camat desde o ano passado, Jovinal, avalia que os agricultores estão amis animados, por conta do crescimento do mercado de construção civil. Por essa razaão, ele e os associados sentiram a necessidade da instalação de uma serraria dentro da cooperativa. A intenção é processar a madeira e vender diretamente para as construtoras.

Nas contas da Camat, se a comercialização for feita messes moldes, o ganho torna-se 60% maior, porque existe a separação das partes nobres da árvore. José Renó explica que o eucalipto tem a "torinha" parte com maior diâmetro da árvore ( em torno de 4 metros) e altura média de 2,2 metros. Ela vale R$100 por metro estéreo. " Mas não tem diferença alguma se vendida para as indústrias de papel e celulose", comenta. Dos 500 mil metros cúbicos de madeira produzidos por ano em Salesópolis, 30% estão sendo direcionados para a construção civil. "Até o ano passado, ficava em torno de 15% a 20%".

Mas é a indústria de papel e celulose que compra a maior parte do eucalipto, em torno de 29 milões de metros cúbicos dos 45 milhões produzidos por ano no estado. Conforme a Associação Brasileira do Produtores de Florestas Plantadas (ABRAF), as grandes companhias do setor preparam investimentos de US$ 5,5 bilhões nos próximos anos com novas instalações no estado do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Piauí.

Fonte: Globo Rural

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

MERCADO PROMISSOR PARA O EUCALIPTO

No Brasil, as áreas de florestas plantadas acumularam em 2008 a marca de 6,5 milhões de hectares, 4,26 milhões só com eucalipto. O país possui ainda vantagens em relação aos seus concorrentes: no Brasil uma árvore de eucalipto leva 7 anos para chegar à idade de corte, já no Hemisfério Norte pode demorar entre 20 e 30 anos. Adicionalmente, a produtividade brasileira é superior, o que permitiu exportar no acumulado de 2008 US$ 6,8 bilhões de produtos florestais de áreas plantadas, como celulose, madeira serrada e compensados.

O excelente desempenho no setor florestal é fruto de nossas condições climáticas e da tecnologia desenvolvida pelas empresas e instituições de pesquisa do país. O Brasil é reconhecido mundialmente como um dos líderes no desenvolvimento e aplicação de inovações na área de genética e propagação florestal, notadamente de eucalipto. Uma árvore de crescimento rápido, ampla adaptabilidade e excelente madeira para vários fins industriais, aspectos que muito colaboram para o crescimento contínuo do número de produtores interessados em desenvolver seu cultivo.

Adicionalmente, o Brasil vem se consolidando com ganhos extraordinários em produtividade e qualidade das florestas industriais de eucalipto, por meio da aplicação dos princípios da genética quantitativa aliados a uma revolução nos procedimentos silviculturais, como para a clonagem em larga escala de árvores elite, a exemplo do projeto Genolyptus para mapeamento do genoma do gênero Eucalyptus.

Mercado

O eucalipto é plantado em mais de 100 países tropicais e sub-tropicais, e cumpre um papel essencial de floresta de substituição para a produção de papel, celulose, energia e madeira sólida de forma sustentável.O eucalipto na verdade tem uma tripla função altamente benéfica para o meio ambiente: sequestra carbono da atmosfera, é fonte eficiente de produção de fibras e bioenergia e contribui para a recuperação de áreas degradadas.

o Brasil integra suas vantagens competitivas na cultura por meio de suas condições naturais favoráveis, conhecimentos científicos e capacidade empreendedora, o que resulta em um potencial altamente competitivo de crescimento. O Brasil é uma excelente opção para investimentos em ativos florestais, mas carece de políticas específicas para um maior desenvolvimento do setor e atração de mais e maiores investimentos. Isso porque ações adversas, como ampliação de restrições para a Reserva Legal e áreas de preservação permanente, acabam por comprometer a melhoria de importantes indicadores, tanto na eucaliptocultura quanto no setor de florestas plantadas como um todo.

No Brasil, segundo a ABRAF (Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas), o setor florestal tem se desenvolvido principalmente com base em investimentos diretos de origem doméstica, embora os investimentos de origem estrangeira venham apresentando crescimento. Para investimentos de curto prazo, a ABRAF espera que a crise financeira mundial não interrompa os investimentos previamente anunciados no setor florestal. Já para investimentos de médio e longo prazo, há a expectativa de implementação de mega-investimentos na silvicultura de florestas plantadas, em especial com eucalipto, e na indústria de base florestal nacional. Esta perspectiva promete elevar os níveis de produção, tanto nas florestas quanto nas transformações industriais, para patamares nunca antes observados.

Fonte: Capital News via Painel Florestal (12/03/2010)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

DO EUCALIPTO, O MENTOL

Pesquisadores conseguem extrair essência usada em indústrias como as de cosméticos, produtos de limpeza e fragrâncias a partir do óleo extraído da espécie citriodora. Descoberta pode fazer com que o Brasil deixe de depender exclusivamente da importação.

O que o eucalipto da espécie citriodora tem a ver com o poderoso mercado do mentol, que movimenta ao ano US$ 18,5 bilhões em todo o mundo? A resposta vem de um grupo de pesquisadores do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O grupo conseguiu transformar, pela primeira vez, o óleo essencial do eucalipto em mentol sintético. O produto químico é utilizado em larga escala por indústrias de produtos de limpeza, cosméticos, medicamentos, fragrâncias e aromas, e até mesmo pela indústria de alimentos, que emprega o componente na fabricação de balas e pastilhas com aroma, sabor e frescor mentolado.

Apesar de ser grande produtor de óleos essenciais, o Brasil é um grande importador do mentol sintético. Todo o produto é comprado do Japão e da Alemanha, que detêm a tecnologia de produção do mentol, obtido a partir de plantas do gênero mentha. A novidade da pesquisa mineira foi mostrar que o óleo essencial, extraído por meio da decantação de folhas da espécie citriodora, também pode ser transformado no componente sintético. O óleo obtido de outras espécies, como o eucalipto utilizado para a indústria do papel, não têm propriedades aromáticas. A ideia é que, a partir de agora, o produto passe a ser feito no país, abastecendo o mercado interno e reduzindo a dependência externa. Com a nova tecnologia, o país também ganha a chance de concorrer no bilionário mercado internacional.

O estudo, coordenado pela professora Elena Goussevskaia, já está patenteado. No país, não foram identificadas outras rotas de produção, nem mesmo com patentes estrangeiras. O novo produto é resultado da aplicação de um processo químico inovador. Foi utilizado um catalisador que transforma o citronelal, composto presente no óleo de eucalipto, em mentol. Além do óleo, principal insumo da pesquisa, a tecnologia envolve também o uso do gás hidrogênio e de catalisadores.


O processo ocorre em um reator, no qual o óleo de eucalipto citriodora entra em contato com o catalisador e com o hidrogênio, formando o óleo mentolado. “A molécula essencial é transformada em uma molécula sintética”, explica a pesquisadora Patrícia Robles Dutenhefner. Segundo ela, o produto obtido a partir do eucalipto tem as mesmas características aromáticas do mentol atualmente encontrado no mercado e, por isso, tem potencial para abastecer indústrias, como a de fragrâncias.

Outra inovação do estudo é que com o uso do catalisador foi possível, em uma única etapa, passar do óleo de eucalipto para o mentol. Como explica Robles, mundialmente o mentol sintético é obtido a partir de seis etapas químicas. A obtenção da matéria-prima é sempre um desafio e virou outro diferencial do mentol mineiro . Em Minas, a espécie citriodora já é cultivada em larga escala e, para dar impulso à nova tecnologia, as plantações poderiam ser fomentadas por meio de cooperativas agrícolas, o que garantiria o fornecimento do óleo essencial, para ser transformado no produto de maior valor agregado, impulsionando também produtores agrícolas.

Mercado promissor
Com perspectivas de ganhar o mercado, o estudo já está sendo testado em um pré-piloto para que o produto seja feito em grande escala. Segundo a pesquisadora, como o procedimento é simples, realizado em uma única etapa química, a tecnologia nacional poderá ter custo mais baixo que a dos concorrentes internacionais. A intenção é que o mentol de eucalipto se transforme em um negócio lucrativo. “Para que o Brasil se torne uma potência em ciência e tecnologia, é preciso direcionar as pesquisas para o mercado”, defende o gerente de Inovação e Tecnologia do Sebrae-MG, Anizio Vianna. Com a Secretaria de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, o Sebrae desenvolve projetos para fomentar a criação de empresas, e o projeto de transformação do óleo do eucalipto em mentol sintético chamou atenção das instituições pelo seu potencial.

O estudo da viabilidade do mercado para o mentol já está concluído e a próxima etapa será o plano tecnológico. “Todo o mentol utilizado no Brasil é importado. O país, porém, está entre os maiores exportadores do óleo essencial, que é pouco utilizado aqui para síntese de compostos de alto valor comercial”, diz Vianna. Outros óleos essenciais, como os de pinho e de laranja, estão sendo estudados pelo grupo de pesquisadores da UFMG, já que também podem ser transformados em mentol sintético. No entanto, a pesquisa está avançada apenas com o eucalipto.

Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 3 de agosto de 2010

SOLUÇÃO PARA PRAGA EUCALIPTO


O eucalipto, espécie madeireira originária da Austrália e das Ilhas da Oceania, é uma excelente fonte para produção de papel e celulose que traz muitos ganhos para o Brasil. No entanto, essa cultura é ameaçada por diversas pragas, doenças e plantas daninhas. No Brasil, entre as pragas naturais que a atacam destacam-se, principalmente, as formigas cortadeiras, os besouros e as lagartas desfolhadoras. E, recentemente, tornou-se mais preocupante a chegada ao país de uma nova praga que ataca o eucalipto: o psilídeo-de-concha.

Durante o Prosa Rural – programa de rádio da Embrapa veiculado de 10 a 14 de maio, o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) Luiz Alexandre Nogueira de Sá fala sobre uma alternativa de combate a esta praga. Segundo ele, o controle biológico, feito com uso de uma vespinha parasitóide de nome complicado, Psyllaephagus bliteus, se mostrou como o método mais adequado, já tendo sido validado nos Estados Unidos e no México. O controle biológico com o uso deste inseto vem reduzindo a infestação da praga nos eucaliptos, conforme resultados obtidos nesses países.

Sá informa que para combater o psilídeo-de-concha, um dos métodos utilizados é o controle químico, com o uso de inseticidas sistêmicos de alto custo, impactantes ao meio ambiente e de efeito temporário. O custo estimado com aplicação desses inseticidas, de acordo com o pesquisador pode variar de R$ 40,00 a 150,00 por hectare, sendo necessárias, no mínimo, três aplicações por ano.

Segundo ele, estudos já estão em andamento no Brasil, com o objetivo de se conhecer a presença deste e de outros agentes de controle biológico nas florestas de eucalipto. “A vespa parasitóide, recém introduzida no país, está sendo criada em condições de laboratório e liberada nos hortos florestais de eucalipto na região de Jaguariúna, desde 2005”, informa.

De acordo com o pesquisador, a aplicação desta tecnologia está beneficiando tanto o pequeno e médio produtor rural de eucalipto para lenha, carvão, mourão de cerca e postes de rede elétrica; como o grande produtor na produção em larga escala de papel e celulose pelas indústrias do ramo florestal e de carvão para a siderurgia nacional; e também o meio ambiente pela utilização de uma tecnologia limpa, com o mínimo impacto ambiental e de baixo custo.

O Prosa Rural é o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa. O programa conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.